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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Nova presença Franciscana na Amazônia

Um percurso de alguns anos, com debates e reflexões em diferentes instâncias sobre o tema da Amazônia, levando em consideração a nossa presença histórica e os desafios atuais, nos impeliu a elaborar o projeto de uma presença renovada e com novas sensibilidades.
O nosso Capítulo geral de 2009 optou por assumir o compromisso de um Projeto Integral na Amazônia mediante o reforço da presença histórica, a criação de novas Fraternidades e uma rede de solidariedade em âmbito de toda a Ordem, da Família Franciscana e de outros grupos. Tal decisão capitular, de número 24, passou a ser denominado Projeto Amazônia e que se situa em meio a outras decisões de caráter claramente missionário.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

MENSAGEM DE NATAL DO MINISTRO CUSTODIAL A TODOS OS FRADES

Caros Confrades,

PAZ e BEM!

Gostaria de enviar a cada um dos irmãos um cartão à moda antiga, pelos Correios, mas a correria desse fim de ano, que colocou minha vida de ponta cabeça, me distraiu e não tive o tempo suficiente. Mas o que vale é a intenção, não é mesmo? Depois é sempre bom lançar mão desses meios eletrônicos, a comunicação flui muito mais rápida...

Pois bem, essa mensagem é apenas para dizer a vocês que desejo a todos um FELIZ NATAL e um ANO NOVO pleno de vigor missionário e evangelizador. Que o Deus da Vida nos cumule de bênçãos, com muita saúde e disposição para sermos Portadores do Evangelho nesta imensa Amazônia.

O que vamos experimentar neste ano de 2011 é uma tentativa de inaugurar algo novo na nossa Custódia: a criação do CAEFRAN, a mudança do Postulantado para Itaituba, o estabelecimento de duas novas experiências, a Equipe Missionária, em Itaituba, e a Fraternidade Missionária, em Manaus. Que o Menino Deus, tão amado por São Francisco, nos inspire a colocar nossa vida a serviço da construção de um mundo mais irmão e irmã, entre as pessoas e com a natureza.

Feliz Natal e Bom Ano Novo!

Do seu irmão menor,

Frei Paixão ofm



quinta-feira, 18 de novembro de 2010

FRADES ELEGEM NOVO GOVERNO CUSTODIAL

"Viver o Dom do Evangelho na Amazônia". Este foi o tema que norteou as reflexões do Capítulo Custodial da Custódia São Benedito da Amazônia. Durante sete dias (04-11 de nov. 2010), os frades celebraram, avaliar ame planejaram a vida e a missão para o próximo triênio 2011-2013.

Este capítulo, que teve a presidência do Visitador Geral Frei Eduardo Metz. Neste foram eleitos os confrades para o novo governo Custodial.

Os frades capitulares elegeram:

Ministro Custodial: Frei Francisco de Assis Paixão, OFM
Vigário custodial
:Frei Gregorio Joeright, OFM

Conselho Custodial:

1º Conselheiro: Frei Edilson Rocha da Silva, OFM

Conselheiro: Frei João Messias da Silva Sousa, OFM

Conselheiro: Frei Valcy de Assunção Pinto, OFM

Conselheiro: Frei Florêncio Almeida Vaz Filho, OFM

Rezemos para que estes nossos irmãos desempenhem com ardor e paixão pelo Reino, este serviço de dedicação contínua e entrega aos irmãos, imbuídos da dinamicidade do Espírito vivificante.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

RUMO AO CAPÍTULO CUSTODIAL 2010

Tem início no dia 04 de novembro no Centro de Formação Emaús - Santarém - Pará o Capítulo Custodial da Custódia São Benedito da Amazônia. O Capítulo é um encontro fraterno, que avaliará e planejará a vida dos frades nos Estados do Amazonas, Pará e Roraima.

Nesta assembleia os frades elegerão o novo governo da Custódia que animará a vida fraterna para os próximos 3 anos.

A reflexão que conduzirá este encontro é animada pelo discernimento estrategico e convida os frades a proporem uma nova presença na Amazônia.

O Capítulo Custodial encerra no dia 11 de novembro.

sábado, 23 de outubro de 2010

CONSELHO INTERNACIONAL DA ORDEM DOS FRADES MENORES EM PETROPOLIS

Frades dos cinco continentes do planeta se reúnem em Petrópolis, RJ, na Fraternidade Franciscana do Sagrado Coração de Jesus, a partir desta sexta-feira, dia 22 de outubro. Eles participam da reunião do Conselho Internacional de Missões e Evangelização da Ordem dos Frades Menores (OFM). O encontro se realiza a cada dois anos e reúne delegados das doze Conferências de Frades Menores espalhadas pelo mundo, além do Secretário para Missões e Evangelização da Ordem, Frei Massimo Tedoldi, OFM e do Definidor Geral para a América Latina, o brasileiro Frei Nestor Schwertz, OFM.

Durante o conselho, que vai até o dia 31 deste mês, cada delegado terá a chance de apresentar um panorama de sua conferência no que diz respeito à temática das missões e evangelização. Outro assunto a ser tratado será a aplicação prática das resoluções do último Capítulo Geral da OFM, realizado em 2009. Na opinião do Vigário Provincial da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil e membro da comissão executiva do Secretariado para a Evangelização, Frei Estêvão Ottenbreit, OFM, dois aspectos devem aparecer com maior ênfase nas discussões: a busca de novos modos de Evangelizar e também o tema da missionariedade, da disposição de ir ao encontro de novas frentes de trabalho.

Ainda segundo Frei Estêvão, a escolha de Petrópolis para a realização deste encontro (o último foi realizado em Manila, nas Filipinas, em 2008) tem como um dos objetivos promover a maior divulgação do Curso Master em Evangelização e Missão, oferecido pelo Instituto Teológico Franciscano (ITF) desde o ano passado. “Trata-se de uma iniciativa que conta com o apoio da Ordem, e por isso é importante que o maior número possível de frades se interessem por este curso e façam a divulgação em suas conferências e províncias”, explica o frade.

Na próxima terça-feira, dia 26, está prevista uma visita ao ITF, com apresentação das instalações do instituto, com destaque para a biblioteca, uma das maiores do Brasil na área da Teologia, e também a divulgação do curso master. No dia seguinte, quarta-feira, os participantes do encontro irão até o Rio de Janeiro, onde terão a oportunidade de conhecer o Convento de Santo Antônio do Largo da Carioca, o Corcovado e a Paróquia Nossa Senhora da Boa Viagem, localizada na Comunidade da Rocinha.

Por Gustavo Medella

Fonte: www.franciscanos.org.br

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

CARTA DE DOM ROQUE A CFMB SOBRE A PRESENÇA FRANCISCANA EM BOA VISTA- RORAIMA

Boa Vista, RR, 13 de setembro de 2010.


Estimados irmãos da Conferência dos Frades Menores do Brasil.


Paz e bem!


Aproveito a oportunidade de escrever aos senhores Ministros Provinciais e Custodiais do Brasil para manifestar, em nome da nossa Igreja Particular de Roraima, a nossa gratidão pela missão que a CFMB mantém aqui desde o início dos anos noventa.

É bom que se diga que, ao longo dos anos, os frades sempre foram e continuam sendo uma presença de comunhão com toda a caminhada da nossa Diocese.

A experiência da periferia de Boa Vista, constituindo uma rede de comunidades com a Diaconia Missionária São Bento, investindo bastante na formação das nossas lideranças, constituindo assim a experiência de uma Igreja toda ela ministerial. A presença junto dos jovens é uma marca registrada da fraternidade.

É louvável o empenho dos frades em trabalhar para ajudar a Igreja a encontrar caminhos de auto-sustentação, desenvolvendo a Pastoral do Dízimo e promovendo a solidariedade entre as Comunidades, com eventos em vista da aquisição de terrenos para as novas Comunidades e a construção de seus templos.

Os frades têm procurado desenvolver um trabalho junto a grupos de geração de renda, ajudando-os a encontrar luzes diante de um mundo que exclui cada vez mais os pobres.

A participação dos freis no Conselho Municipal do Meio Ambiente de Boa Vista é também um sinal muito promissor de um trabalho que ultrapassa as paredes dos templos e se faz presença profética na esfera governamental, dando visibilidade às iniciativas que eles já desenvolvem junto às comunidades em relação ao cuidado com a obra da criação.

O trabalho da Comissão Pastoral da Terra ganhou um impulso novo com a vinda dos frades e, de modo particular, o carisma e o profetismo do nosso saudoso Frei Artur. Numa situação muito delicada que enfrentávamos com a CPT, o Frei TEO retomou o caminho. Mais tarde, o Frei João Messias ajudou a manter a marca do franciscanismo e atualmente o Frei Pedro prossegue este caminho.

Destaca-se que desde o inicio da presença dos freis aqui em Roraima, a atuação pastoral aconteceu com acentos diferentes. No trabalho com ao indígenas (constantes conflitos nas suas terras), com o povo dos assentamentos, nas comunidades da periferia de Boa Vista e até mesmo em alguns serviços diocesanos.

Atualmente os três frades estão ajudando em trabalhos em nível diocesano:
Frei Armando compondo a equipe diocesana de Formação e ministrando aulas no curso de Teologia para Leigos e Leigas;
Frei Inácio mantém um programa diário na nossa emissora de Rádio;
Frei Pedro, colaborando na CPT e também dedicando um dia por semana para ajudar na Fazenda da Esperança, inaugurada ha poucos meses.

Senhores Ministros, quando falamos em Diocese de Roraima, falamos da realidade dura e sofrida de todo um Estado da Federação, com uma forte corrente migratória que não cessa. Segundo a projeção do IBGE, a população deverá duplicar até o ano 2020.

Pedimos, com muita confiança, que a CFMB, possa dar seguimento a missão aqui entre nós. Sonhamos em poder contar com um frade que possa ajudar a articular mais fortemente o trabalho ligado às questões da terra.

Estimados irmãos, estou colocando apenas alguns tópicos, para agradecer de coração e reconhecer a dedicação dos senhores com as Províncias e Custódias a fim de levar em frente o compromisso com a missão de Roraima.

Deus seja louvado por tudo.

Coloco-me à disposição dos senhores, pedindo que rezem por mim.


+ Roque Paloschi
Bispo da Diocese de Roraima




quinta-feira, 30 de setembro de 2010

CARTA SOBRE A PRESENÇA FRANCISCANA EM BOA VISTA - RORAIMA

Porto Alegre, 29 de setembro de 2010.

Estimados Irmãos e estimadas Irmãs.

Paz e bem!

Escrevo aos confrades da CFMB (Franciscanos Menores do Brasil) e aos Irmãos e às Irmãs, leigos e leigas, das nossas presenças evangelizadoras. Todos nós somos ‘franciscanos e franciscanas’. Quero partilhar alguns elementos da minha visita a Boa Vista, Roraima, inícios de setembro, pp.

Em Roraima há uma só Diocese. O Bispo atual é Dom Roque Paloschi. O Estado conta com 450.000ha. O povo de Roraima não tem uma identidade cultural definida. Isto porque é oriundo de vários Estados da Federação, principalmente do Maranhão e do nordeste brasileiro, mas também há pessoas do Centro do país e mesmo do Sul. Os Freis do Brasil assumiram uma Missão em Roraima, que fica no extremo Norte do país, desde 1993. Ali há muita carência de missionários e de missionárias. Hoje, ali trabalham, na Diocese, missionários de 16 países.

A casa dos Frades é ponto de referência na Missão. É lugar tranqüilo, com grande variedade de árvores frutíferas; há lugar ao redor da casa, espaço para criação de galinhas e uma cabra. Está localizada na periferia de Boa Vista. É lugar de retiros, por ser lugar lindo e de muita sombra, e também por não haver ainda espaços construídos para maiores encontros. Nossos 03 Freis missionários levam vida simples, pobre..., franciscana. Têm bons tempos de convivência, de oração e de organização do serviço evangelizador. Não têm cozinheira e fazem todos os serviços da casa. Os Freis missionários mantêm boa relação com a Diocese e demais missionários. Na Diocese não há paróquias, mas áreas missionárias. Os missionários da CFMB atendem 19 comunidades. Sentem a urgência de organizar outras 5 ou mais, nas direções para onde a cidade está crescendo. Ali é preciso comprar o terreno e depois construir para a vida da comunidade (salãozinho, salas de encontro de formação e lugar de oração – Capela). Os Freis investem muito na formação de lideranças. Há muitas crianças e jovens. É um povo alegre, vivaz e disposto. Os missionários da CFMB dizem: “Aqui alimentamos e vivemos nossa utopia franciscana e evangelizadora”. Estão bem e felizes.

Como os 03 Freis e a Ação missionária são sustentados?

1. Com o seu trabalho, recebem pagamento da Diocese. Dom Roque ajuda, no valor que lhe é possível, cada missionário ou missionária.

2. Nós Freis, das Onze Entidades, contribuímos com o que vier a faltar para a vida dos Freis.

3. A Ação missionária (compra de terrenos para Comunidade, construção de Capelas, de salas de formação e salão para os encontros maiores das comunidades) é sustentada por várias fontes de ajuda: pela Diocese, pelas próprias Comunidades que se entre ajudam, e por nós, leigos e leigas das nossas presenças evangelizadoras, em todo o Brasil, através de Coletas e ajudas espontâneas. No ano de 2009, nossa Coleta somou R$ 56.000,00. Essa quantia já está sendo usada pelos Freis, para a Ação missionária. Nós sabemos que isso não é muito. Por isso precisamos continuar a ajudar nossos irmãos e nossas irmãs na fé, de Boa Vista, a construir o Reino de Deus, na Igreja de Roraima. Só na Área onde nossos Freis missionários trabalham moram ao redor de 150.000 pessoas. A carência é grande. Cerca da metade da população de Roraima é de igrejas pentecostais. Na minha visita aos Freis, entre os dias 03 a 07 de setembro, combinamos que eles prestarão contas dos investimentos de nossas Coletas. Isso chegará a nós, através dos Freis. Além disso, os Freis missionários vão, periodicamente, escrever do que ali acontece para irmos acompanhando nossa missão. Essas correspondências chegarão a nós através dos Boletins das Províncias, Custódias e Fundações, e das Paróquias e presenças evangelizadoras.

Os Freis responsáveis pelo nosso Serviço missionário ainda irão encaminhar nova ajuda missionária para a nossa Missão em Roraima. Penso que posso, em nome daquele povo de Boa Vista, agradecer pela ajuda que já receberam, bem como pedir as bênçãos de Deus pelas futuras ajudas. Que Deus os recompense!

Irmãos e Irmãs, creio que essas poucas linhas oferecem uma imagem da nossa Missão no Norte do Brasil. Creio que, de ora em diante, precisamos manter nossa correspondência aberta. Contamos com notícias de nossos Missionários. Hoje, em nome de todos nós e com nosso apoio, prece e sustento, ali trabalham os Freis Armando Mariani, Pedro Geremias Bruxel e Inácio Dellazari.

Que Deus continue abençoando nossa Missão e nossos missionários. E que não faltem Missionários para a Messe do Senhor. Rezemos, pois!

Em Cristo e Francisco, seu irmão,

Frei João Inácio Müller, OFM,

Presidente da CFMB.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

HOMILIA DO MINISTRO GERAL DOS FRADES MENORES NA FESTA DOS ESTGMAS DE SÃO FRANCISCO

Há poucos dias celebramos a festa da exaltação da santa Cruz. Hoje, em todo o mundo franciscano e particularmente nesta santa montanha do Alverne, santificada pela presença do Senhor em forma de serafim e pela presença de Francisco, o estigmatizado do Alverne, celebramos o mistério da Cruz que se fez visível na carne do Poverello, realizando-se em seu corpo, de forma visível, aquilo que disse o Apóstolo: “de agora em diante ninguém me moleste, pois carrego em meu corpo as marcas do Senhor Jesus”(Ga 6,17). Paulo carregava em seu corpo as cicatrizes das tribulações suportadas por Cristo (cf. 2Cor 6,4-5; 11,23ss), Francisco leva em suas mãos, pés e no lado, os estigmas da Paixão de Cristo.

As biografias do santo nos narram como aconteceu o prodígio singular dos Estigmas. Perto da festa da Santa Cruz, dois anos antes de sua morte, o seráfico pai subiu a esta montanha, para iniciar a quaresma que costumava praticar em honra do Arcanjo São Miguel. Desejando ardentemente conhecer a vontade de Deus, para configurar-se todo a Cristo, abriu por três vezes o livro dos Evangelhos em nome da santa Trindade, e encontrando sempre a narração da Paixão do Senhor, orava insistentemente para sentir em seu corpo as dores do Crucificado. Teve, então, uma visão da qual sentiu muito gozo e uma profunda dor ao mesmo tempo: era o Senhor em forma de serafim crucificado que lhe manifestava que seria transformado totalmente na imagem de Cristo crucificado. Terminada a visão apareceram na carne deste amigo de Cristo os sinais da Paixão do Senhor: os cravos que traspassaram suas mãos e seus pés, e uma chaga em seu lado (cf. LM XIII, 1ss).

Nesta memória litúrgica dos Estigmas de são Francisco, procuremos acentuar alguns aspectos importantes que nos oferecem este evento prodigioso, partindo da narração que nos oferece são Boaventura. O Doutor Seráfico introduz a narração da impressão das chagas com estas palavras: «Francisco havia aprendido a distribuir tão prudentemente o tempo a sua disposição: parte dele o empregava em fadigas apostólicas em favor do próximo, parte o dedicava às tranqüilas elevações da contemplação. E, por isso, depois de haver se empenhado em procurar a salvação dos demais, segundo o exigiam as circunstâncias dos lugares e tempos, abandonando o ruído das multidões, se dirigia ao mais recôndito da solidão» (LM XIII, 1).
Francisco nos ensina que não podemos ser todo para os demais se não se é todo para o Senhor. E não se pode ser todo para o Senhor, quem não se encontra constantemente consigo mesmo. O Poverello nos ensina a necessidade de buscar para a nossa existência, um “projeto de vida ecológico”, como diríamos hoje, onde o compromisso a favor dos demais seja acompanhado de “vacare Deo”, como diziam os antigos, ou seja, dedicar tempo para Deus, e dedicar tempo para nós mesmos. Francisco, verdadeiro “mendicante de sentido”, estava sempre a procura do homem e sempre a procura de Deus e de sua vontade, como observa São Boaventura, buscava incessantemente encontrar-se consigo mesmo e por isso buscava e amava a solidão.

O homem é certamente um “ser social”, criado “para a relação”, porém, a experiência demonstra, que só quem pode viver sozinho também sabe viver plenamente as relações. Só quem não teme descer na própria interioridade sabe afrontar o encontro com a alteridade, com Deus e com os demais. Ao invés, a incapacidade de interiorização, de habitar a própria vida interior, se converte também em incapacidade de criar e de viver relações sólidas, profundas e duradouras com Deus e com os demais. Claro que nem toda solidão é positiva: existem formas de fugas, que são patológicas, como o isolamento e o medo de relacionar-se com os outros. Porém entre estas patologias e o ativismo desmedido, a solidão é equilíbrio e harmonia, força e firmeza. Quem assume a solidão como fez Francisco, é quem mostra o valor de enfrentar-se consigo mesmo, de reconhecer e aceitar como tarefa própria o ser “ele próprio”. Por outro lado, se alguém, como Francisco, tem como objetivo buscar a vontade de Deus (cf. LM XIII, 1), não pode a encontrar refugiando-se no “grupo”, no anonimato da multidão e nem mesmo fechando-se em si mesmo. Oxalá não seja a solidão um dos maiores sinais do amor: para conosco mesmos, para com Deus e para com os outros.

A solidão é lugar de unificação do próprio coração e da comunhão com Deus e com os demais. Quando a solidão nos leva a encontrar-nos conosco mesmos, então é purificação das relações, e, para nós, cristãos, é também um lugar de comunhão com o Senhor. Ao comentar o texto de João 5,13, onde se diz que o homem que foi curado não sabia quem o havia curado, já que Jesus havia desaparecido entre a multidão, Santo Agostinho escreve: “É difícil ver a Jesus em meio da multidão; necessitamos da solidão. Na solidão, com efeito, se a alma observa bem, Deus se deixa ver. A multidão é ruidosa, para ver a Deus necessitamos do silêncio”. Por outro lado, a solidão é o crisol do amor: as grandes relações humanas e espirituais não podem deixar de cruzar a solidão. Certamente, o cristão, como Jesus, deve preencher a solidão com a oração, com a luta espiritual, com o discernimento da vontade de Deus, com a busca de seu rosto. Francisco em tudo isto se nos apresenta como um verdadeiro mestre, tendo sido um verdadeiro discípulo de Cristo.

Na verdade, o Cristo, em quem dizemos que cremos e que dizemos amar, o encontramos constantemente em lugares afastados para orar, buscando a solidão para viver a intimidade com o Abba e para discernir sua vontade. Aquele que viveu na cruz a plenitude da intimidade com Deus, conhecendo o abandono de Deus, recorda ao cristão que a solidão é mistério de comunhão e nos ensina que a máxima solidão manifestada na cruz é mistério de amor, a maior manifestação do amor do Pai para conosco. “Tanto Deus amou o mundo que deu o seu Filho único” (Jo 3,16); a maior manifestação de amor de Jesus pela humanidade: “nos amou e se entregou por nós” (Ef 5,2).

«Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome sua cruz cada dia, e siga-me” (Lc 9,23), escutamos no Evangelho de hoje. Encontramos nestas palavras um compêndio da vida cristã, o espelho da Palavra com que o discípulo deve conformar o seu próprio rosto. Como cristãos, nossa vida deve levar impressas as características de Jesus, o Filho crucificado por amor. Olhando «ao que traspassaram» (Jn 19,37), a cruz se converteu num selo de pertença a Deus em Jesus (cf. Ap 7,2ss; Ez 9,4). Levar a cruz cada dia é assumir nossos males, é morrer cotidianamente por Cristo, vivendo para ele, até poder dizer: «Estou crucificado com Cristo: vivo, e não sou mais eu que vivo, é Cristo que vive em mim” (Ga 2,20). Tomar a cruz significa sentir-se crucificado com Cristo, ser partícipes da Paixão do Senhor Jesus, sentir que somos dele e que já não nos pertencemos mais a nós mesmos. Disse Bento XVI: Para levar a pleno comprimento a obra da salvação, o Redentor continua a associar a si e à sua missão homens e mulheres dispostos a tomar a cruz e segui-Lo. Como para Cristo, assim também para os cristãos levar a cruz não é opcional, mas é uma missão que deve abraçar com amor. Em nosso mundo atual, onde parecem dominar as forças que dividem e destroem, Cristo continua oferecendo a todos, seu claro convite: “quem quiser ser meu discípulo, renegue ao próprio egoísmo e carregue comigo a cruz”. Peçamos a intercessão do Estigmatizado do Alverne, para que o Senhor nos conceda seguir com decisão atrás dEle, conformar-nos à Paixão de Cristo e ser partícipes de sua Ressurreição.

Fr. José Rodríguez Carballo, ofm – Ministro geral OFM
Monte Alverne, 17 de setembro de 2010
Festa dos Estigmas de são Francisco

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

O PERFEITO AMOR DE SÃO FRANCISCO AO CRUCIFICADO

No dia 17 de setembro celebra-se a festa da impressão das chagas de São Francisco de Assis. Os estigmas que Francisco recebeu em 1224, no Monte Alverne, após uma visão do Cristo crucificado em forma de Serafim alado, são sinais visíveis de sua semelhança à humanidade de Cristo, nos seus três modos: na vida, na paixão e na ressurreição.

Francisco encontrou-se pela primeira vez com o Crucificado na pequena Igreja de São Damião. Num certo dia, conduzido pelo Espírito, entrou nessa Igreja e prostrou-se diante da imagem do Cristo crucificado que, movendo de forma inaudita os seus lábios, disse: “Francisco, vai e restaura minha casa que, como vês, está toda destruída” (2Cel 10,5). E, conta-nos Celano, que Francisco sentiu desde então uma inefável mudança em si mesmo, pois são impressos mais profundamente no seu coração, embora ainda não na carne, os estigmas da venerável paixão.

No entanto, foi ao ouvir o Evangelho acerca da missão dos apóstolos (Mt 10, 7-13), que Francisco compreendeu o real significado da voz do Crucificado, e imediatamente exclamou: “É isto que eu quero, é isto que eu procuro, é isto que eu desejo fazer do íntimo do coração” (1Cel 8,22). Assim, sob o toque ou o apelo de uma afeição, começou devotadamente a colocar em prática o que ouvira, isto é, distribuiu aos pobres todos os seus bens materiais, bem como renegou-se a si mesmo para que, exterior e interiormente livre, pudesse ir pelo mundo e anunciar aos homens a paz, a penitência e, enfim, o amor não amado de Deus.

O amor que é Deus realizou-se na sua profundeza, largura e altitude na pessoa de Jesus Cristo. A encarnação, o estábulo, o lava-pés e a Eucaristia são expressões concretas do modo de amar como só o Deus de Jesus Cristo pode e sabe amar. Porém, foi especialmente ao entregar incondicional e gratuitamente a sua vida na Cruz, que o Filho de Deus revelou à humanidade que Deus é essencialmente caridade perfeita.

Francisco, por inspiração divina, abraçou pobre e humildemente a cruz de Jesus e deixou-se impregnar, arrebatar e transformar totalmente pelo espírito de abnegação divina. Isso quer dizer que a imitação de Cristo, por parte de Francisco, não é mera repetição mecânica dos gestos exteriores de Jesus, mas é manifestação de sua profunda sintonia com a experiência originária de Jesus Cristo: o Reino de Deus. Somente quem possui o Espírito do Senhor pode observar “com simplicidade e pureza” a Regra e o Testamento de São Francisco e realizar em si mesmo as santas operações do Senhor.

Na Terceira consideração dos sacrossantos estigmas considera-se que, aproximando-se a festa da Santa Cruz no mês de setembro, o pai Francisco, na hora do alvorecer, se pôs em oração, diante da saída de sua cela, e entre lágrimas orava desta forma: “Ó Senhor meu Jesus Cristo, duas graças te peço que me faças antes que eu morra: a primeira é que em vida eu sinta na alma e no corpo, quanto for possível, aquelas dores que tu, doce Jesus, suportaste na hora da tua acerbíssima paixão; a segunda é que eu sinta no meu coração, quanto for possível, aquele excessivo amor do qual tu, Filho de Deus, estavas inflamado para voluntariamente suportar uma tal paixão por nós pecadores”(I Fioretti)). E, relata Boaventura que, enquanto Francisco rezava, “viu um Serafim que tinha seis asas (cf. Is 6,2) tão inflamadas quão esplêndidas a descer da sublimidade dos céus. E [...] apareceu entre as asas a imagem de um homem crucificado que tinha as mãos em forma de cruz e os pés estendidos e pregados na cruz. [...] Imediatamente começaram a aparecer nas mãos e nos pés dele os sinais dos cravos” (LM 13,3). Assim, Francisco transformara-se todo na semelhança de Cristo crucificado (cf LM 13,5). Pois, de fato, trazia Jesus no coração, na boca, nos ouvidos, nos olhos, nas mãos, nos sentimentos e em todos os demais membros (cf. I Cel 9,115), e conseqüentemente podia exclamar com o apóstolo Paulo: “Eu vivo, mas já não sou eu, é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20).

O Pobre de Assis, no seguimento de Jesus Cristo, perdeu a sua própria vida, mas recuperou-a inteiramente em Deus, de acordo com a palavra do Evangelho: “Quem perder a sua vida por causa de mim vai encontrá-la” (Mt 12,25). Todavia, Francisco não somente reencontrou a si mesmo em Deus, como filho de Deus, mas a todos os seres do universo. O Cântico das Criaturas, que compôs pouco antes de sua morte corporal, é expressão jubilosa dessa intensa experiência eco-espiritual: “Louvado sejas meu Senhor, com todas as tuas criaturas”.

O pai Francisco tornou-se assim um mestre na sequella Iesu. De imediato despertou o fascínio de muitas pessoas e atraiu muitos discípulos e discípulas, entre as quais, Santa Clara. Clara e suas Irmãs, a exemplo de Francisco, também querem chegar ao cimo da montanha da perfeição do amor. A propósito subscrevemos parte do VII capítulo (Do perfeito amor de Deus) de um interessantíssimo opúsculo que Boaventura escreveu à abadessa das Irmãs, do convento de Assis, sobre A perfeição da vida:


“Não é possível excogitar um meio mais apto e mais fácil para mortificar os vícios, para progredir na graça, para atingir o auge de todas as virtudes do que a caridade. Por isso diz Próspero, no seu livro Sobre a vida Contemplativa: “A caridade é a vida das virtudes e a morte dos vícios”. Como a cera se derrete diante do fogo, assim os vícios perecem diante da caridade. Porque a caridade possui tanto poder que só ela fecha o inferno, só ela abre o céu, só ela dá a esperança da salvação, só ela nos torna dignos do amor de Deus. Tal poder possui a caridade que entre todas as virtudes só ela é chamada propriamente virtude. Quem a possui é rico, tem abundância, é feliz. [...] E diz Santo Agostinho: “Se a virtude conduz a uma vida bem-aventurada, eu quisera afirmar em absoluto que nada é propriamente virtude senão o sumo amor de Deus”. Sendo, por conseguinte, o amor de Deus uma virtude tão elevada, cumpre insistir em alcançá-lo acima de todas as demais virtudes; porém, não um amor qualquer, mas só aquele com que Deus é amado sobre todas as coisas e o próximo por amor de Deus.


O modo de amar a teu Criador ensina-o o teu esposo no evangelho: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma e de todo o teu espírito. Repara bem, caríssima serva de Jesus Cristo, que amor o teu dileto esposo exige de ti. Quer o teu amado que ao seu amor dediques todo o teu coração, toda a tua alma, todo o teu espírito, de sorte que absolutamente ninguém em todo o teu coração, em toda a tua alma, em todo o teu espírito, tenha parte com ele. Que, pois, fará para amares o Senhor teu Deus realmente de todo o coração? Que quer dizer: de todo o coração? Vê como São João Crisóstomo ensina: “Amar a Deus de todo o coração significa não estar o teu coração inclinado a nenhuma outra coisa mais do que ao amor de Deus; não te comprazeres nas coisas desse mundo mais do que em Deus, nem nas honras, nem mesmo nos pais. Se, todavia, o teu coração se ocupar em alguma destas coisas, já não o amas de todo o coração”. Peço-te, serva de Cristo, não te iludas. Fica sabendo que, se amas alguma coisa, e não a amas em Deus e por Deus, já não o amas de todo o coração. Por isso diz Santo Agostinho: “Senhor, menos te ama quem ama alguma coisa contigo”. Se amas alguma coisa que não te faz progredir no amor de Deus, não o amas de todo coração. E se, por amor de alguma coisa, negligencias aquilo que deves a Cristo, já não o amas de todo o coração. Ama, pois, o Senhor teu Deus de todo o coração.

Não somente de todo o coração, mas também de toda a alma devemos amar a Jesus Cristo, nosso Deus e Senhor. Que significa: de toda a alma? Vai dizê-lo Santo Agostinho: “Amar a Deus de toda a alma é amá-lo com toda a vontade, sem restrições”. Amarás, certamente, de toda a alma, se sem contradição e de boa vontade fizeres não o que tu queres, nem o que aconselha o mundo, nem o que te inspira a carne, mas aquilo que reconheceres como sendo a vontade de Deus. Amarás, de fato, a Deus de toda a tua alma quando por amor de Jesus Cristo entregares de boa vontade tua vida à morte, sendo necessário. Se nisto, porém, faltares, já não amas de toda a alma. Ama, pois, ao Senhor teu Deus de toda a tua alma, isto é, faze a tua vontade sempre em conformidade com a vontade divina.

Entretanto, não só de todo o coração, não só de toda a alma, deves amar o teu esposo, Jesus Cristo. Ama-o também de todo o teu espírito. Que quer dizer: de todo o teu espírito? Di-lo novamente Santo Agostinho: “Amar a Deus de todo o espírito, é amá-lo com toda a memória, sem esquecimento”. (in: Obras Escolhidas. Porto Alegre: EST, 1983, p. 433-435).

Frei João Mannes, OFM

Fonte: franciscanos.org.br

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

05 DE SETEMBRO - DIA DA AMAZÔNIA

Venho, por meio desta, lembrar todos os confrades e comunidades que no próximo dia 05 de setembro celebramos o “Dia da Amazônia”. Nesta data, como já combinado na última assembleia do SIFEM e a pedido da CFMB, devemos lembrar em nossas comunidades e suas celebrações do fim de semana mais próximo do dia 05 o nosso compromisso com a Amazônia e com toda a sua realidade, sobretudo, neste momento que gestamos novos projetos de presenças naquelas realidades, tanto em nível de CFMB quanto de UCLAF/OFM. Estes projetos precisam tornar-se realidade o quanto antes, pois tempo urge. Então devemos nos empenhar no compromisso e na disponibilidade de orações, irmãos e financeiro.

Por isso, o convite é que além das orações neste fim de semana, cada comunidade se empenhe em fazer ao menos uma coleta no próximo fim de semana que se reverta para o fundo das missões da CFMB na Amazônia que está sendo custodiado na Custódia de São Benedito da Amazônia.

1 – A importância da Amazônia para a Ordem dos Frades Menores

a) Peculiaridades da Amazônia: riqueza natural. "A Amazônia é um dos maiores, diversos, complexos e ricos biomas do mundo. Vista a partir do cosmo, a Amazônia pan-americana ocupa uma área de 7,01 milhões de Km² e corresponde a 5% da superfície da terra, 40% da América do Sul, 59% do Brasil. Contém 20% da disponibilidade mundial de água doce não-congelada e 80% da água disponível no território brasileiro. Abriga 34% das reservas mundiais de florestas e uma gigantesca reserva de minérios. Sua diversidade biológica de ecossistemas, espécies e germoplasma é a mais intensa e rica do planeta: cerca de 30% de todas as espécies de fauna e flora do mundo encontram-se nesta região. O sistema fluvial Amazonas-Solimões-Ucayally representa o mais extenso rio do mundo, com 6.671 Km; a bacia hidrográfica do rio Amazonas é constituída por cerca de 1.100 rios, e o rio Amazonas joga no Oceano Atlântico entre 200 a 220 mil metros cúbicos de água por segundo, o que representa 15,5% de toda água doce que entra diariamente nos oceanos" (CF 2007, 15).

Riqueza humana e cultural: A Amazônia conta com uma população de 23 milhões de habitantes, entre os quais 165 são povos indígenas e 65 povos são não contactados. Além da rica biodiversidade, nela se encontra uma rica diversidade cultural, lingüística e religiosa. Em particular os povos indígenas, ribeirinhos e quilombolas vivem em harmonia com a natureza e mostram que é possível conviver com a floresta e os rios sem a necessidade de mercantilização e devastação.

b) Os desafios atuais: a Amazônia sofre os efeitos devastadores da lógica da mercantilização de todas as coisas. Ela desafia a recolocar a pessoa humana no “jardim”, a recuperar a sacralidade do cosmo e recriar as relações de reciprocidade e de fraternidade entre todas as criaturas. Os povos indígenas, ribeirinhos e quilombolas carregam em si as sementes que nos ajudam a adquirir uma nova visão da vida.

A Amazônia é atualmente palco de no mínimo duas vertentes fundamentais de um novo colonialismo: o avanço do agronegócio, das mineradoras, das madeireiras e outros projetos de exploração que implicam numa ampla devastação e destruição das florestas, dos rios e das populações tradicionais; a privatização e apropriação de vastas áreas de florestas em vista do acúmulo de créditos de carbono e dos recursos genéticos, sendo que as populações ali existentes são pagas para conservar, porém lhes é tirada a condição de sujeito social (colonialismo verde). Junto se verifica o progressivo processo de privatização da água doce, uma rápida degradação do ambiente onde se localizam as principais nascentes dos grandes rios da bacia amazônica, a presença de rotas de tráfico de drogas, a invasão dos grupos econômicos com seus grandes projetos de exploração que forçam as populações a migrarem para os grandes centros urbanos, onde caem na miséria, na prostituição, nas drogas, etc.

c) A presença franciscana: os frades menores estão presentes nesta região desde o século XVI. Ao longo deste tempo a presença franciscana se manteve praticamente ininterrupta. A partir dos inícios do século XIX, esta presença se diversificou e ampliou com a vinda dos frades capuchinhos, da TOR e das congregações franciscanas femininas. Esta presença tem a característica de ser pouco numerosa e desarticulada entre si e predominantemente de missionários/as estrangeiros/as. A partir do século XX, a Igreja confiou grandes territórios de missão (Prelazias, Prefeituras e Vicariatos) aos franciscanos em seus diferentes ramos.

d) Lugar de missão franciscana: a Amazônia carrega em seu ventre sementes e paradigmas que significam o futuro do planeta e da humanidade. A sua imensa riqueza natural pode representar um ponto de equilíbrio no conjunto da nossa casa comum. A sua variada riqueza humana, cultural e religiosa pode contribuir para um novo estilo de vida em base à gratuidade, simplicidade, reciprocidade, dignidade, sacralidade, sentido da festa. Esta realidade nos desafia ao diálogo ecumênico, inter-religioso e inter-cultural.


Nós, a partir do carisma franciscano, podemos encontrar neste chão, condições favoráveis para resgatar muito da vitalidade das nossas origens: a visão da sacralidade de toda a criação, as relações de reciprocidade, de fraternidade, de não-apropriação das coisas e da terra, a austeridade, a itinerância e a mobilidade.

Por outro lado, somos desafiados a dar a nossa contribuição no que tange as realidades fundamentais: defesa e promoção da vida; valorização da diversidade cultural e aprendizagem dos processos de inculturação; acolhida da religiosidade popular; compromisso com a integridade da criação; sintonia e comunhão com a Igreja local na busca por encarnação na realidade e por uma evangelização libertadora.

Iluminados pelo Espírito do Senhor, inspirados pelo carisma franciscano e obedientes aos documentos da Igreja (Documento de Aparecida) e da Igreja da Amazônia (Documento “Discípulos Missionários na Amazônia”), sob a proteção de Nossa Senhora da Amazônia e sensibilizados pelos clamores dos povos indígenas, ribeirinhos, quilombolas, populações das periferias, migrantes e refugiados reafirmamos o nosso compromisso com a missão neste chão.
Quem nos convoca é o próprio Deus Trindade. Nossa resposta de frades menores, à luz dos sinais dos tempos, a serviço do Reino de Deus, é a de sermos fiéis discípulos e missionários de Jesus Cristo e fiéis a S. Francisco e seu/nosso carisma. Também, pedimos à Mãe de Deus que zele por todos os povos da Amazônia. Ela, que é a estrela da evangelização, guie os nossos passos no caminho do Reino: Mãe Nossa, protegei a família brasileira e latino-americana e ajudai-nos a fazer tudo o que o vosso Filho nos disser. Amém!

Frei Fernando Ap. dos Santos, OFM
Coordenador do SIFEM/CFMB

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

PORTADORES DO DOM DO EVANGELHO NA AMERICA LATINA E CARIBE


No domingo, dia 8 de agosto de 2010, às 15 horas, em Ipacaraí, no Paraguai, Frei Gustavo Rodríguez, presidente da UCLAF, fez a abertura oficial da XXI Assembleia da União das Conferências Franciscanas da América Latina e Caribe.
O ministro da “Custódia Frei Luis Bolaños”, a anfitriã do Congresso, Frei Iñaki Galarraga, fez esta fraterna acolhida a todos: “Sejam bem vindos a esta formosa terra. Muitos irmãos trabalharam para que nos sintamos bem nesta Assembleia e agradeço a todos por isso. Recebê-los no Paraguai é motiv
o de grande alegria. Sintam-se em casa. O país é pobre e tem limitações, mas nossa gente é hospitaleira e de coração grande”.
Na abertura, deu-se destaque às presenças do Ministro Geral, Frei José Rodríguez Carballo e dos Definidores Gerais para a América Latina e Caribe, Frei Nestor Schwertz e Frei Julio Bunader.Após a apresentação da agenda, do horário, d
os serviços e uma amostragem breve de cada Conferência da UCLAF, Frei José Rodrigues Carballo dirigiu sua exortação a todos os participantes do Congresso, discorrendo sobre os seguintes temas:1. A MISSÃO EVANGELIZADORA. 1.1) Missionário no mundo, como Irmãos Menores, de coração votado ao Senhor. 1.2) Habitados pelo Evangelho para ser portadores do dom do Evangelho. Destacando, aqui, os pilares da refundação da nossa vida e missão e a revitalização do carisma: a espiritualidade, a fraternidade e a missão.
2. CHAMADOS PARA CHAMAR – A urgência da revitalização da Pastoral Vocacional, pastoral que se inicia com o testemunho da nossa qualidade de vida: “Vinde e vede”.
3. O REDIMENSIONAMENTO: Em cada entidade da UCLAF há a necessidade de algum redimensionamento interno, pois há uma desproporção entre compromissos pastorais e forças, para não corrermos o risco da autodestruição. E quando se fala em redimensionamento estamos pensando em primeiro lugar em revitalizar o carisma, em recriar nossa vida e missão à luz das exigências da nossa forma de vida.


4. O PROJETO AMAZONAS (decisão 24 do Capítulo Geral 1009). O Ministro incentivou a UCLAF a abraçar esta decisão capitular que veio como proposta da própria UCLAF. Disse o Ministro: “O projeto Amazonas é ambicioso e necessita de todos para chegar à realização... não basta uma nova fraternidade interprovincial”. O que o projeto deve levar em conta é a “força humanizadora do Evangelho, o cuidado e a integridade da criação, a defesa e a promoção das culturas autóctones”. Por isso, necessita de irmãos bem preparados.
A partir da segunda-feira, dia 9 de agosto, os ministros provinciais se debruçaram sobre três questões básicas: 1. O Projeto Amazonas – decisão 24 do Capítulo Geral; 2. Formação de missionários; 3. Estatutos da UCLAF.
1. O PROJETO AMAZONAS
O Definitório Geral, avaliando e se posicionando frente aos projetos missionários aprovados no último Capítulo Geral, propõe: que “a principal responsabilidade dos projetos são os irmãos de próprio continente”. E, para tanto, pede às Conferências que apresentem os projetos com propostas que deverão ser desenvolvidos com equilíbrio, projetos realistas tanto do ponto de vista do pessoal como do econômico. Cada projeto deverá, antes de tudo, discernir e propor critérios de ação para o nascimento, a potencialização e o despertar carismático da nossa vida. Isto quer dizer: a qualidade de vida evangélica deve estar acima de qualquer outro aspecto. E ainda: se não houver solidariedade fraterna e colaboração (de cada frade e de cada entidade), estes projetos não terão vida longa!
Assim sendo, o XXI Congresso da UCLAF, depois de intenso trabalho, elaborou uma proposta ao Governo Geral sobre o projeto da presença integral na Amazônia.

2. Projeto FORMAÇÃO DE MISSIONÁRIOS
Esta proposta veio à luz na XX Assembleia da UCLAF em Bogotá. Tratava-se da possibilidade de se criar na América Latina um centro de formação de missionários para a América Latina e Caribe. Este projeto foi trabalhado particularmente pela Conferência do Cone Sul (Argentina, Chile e Paraguai). Num segundo momento, uma comissão elaborou uma proposta específica, mais direcionada para a realidade da Amazônia. A XXI UCLAF retomou a questão. Temos, na América Latina, muitas outras frentes missionárias! Por isso, depois de muita ponderação e estudo, a Assembleia chegou à conclusão de que no momento não estamos em condições para assumir mais um projeto. Porém, não deveríamos ‘abortá-lo’! Há a necessidade de mais tempo de ‘gestação’! No momento devemos abraçar e dar mais vida às tarefas já assumidas e as que estão em andamento na UCLAF e também nas Conferências.

3. DIRETRIZES da UCLAF.
Frei Mauro Vallejo Lagos apresentou nesta Assembleia um pequeno livro que retoma a caminhada histórica da UCLAF, desde o seu nascimento até os dias de hoje. No Capítulo Geral de 1967, os 15 capitulares da América Latina tomaram a consciência da necessidade de uma “adequada renovação” dos frades do continente latino-americano às proposições da Igreja de Cristo emanadas do Concílio Vaticano II. Assim sendo, nos dias 17 a 25 de agosto de 1967, reuniram-se em Bogotá pela primeira vez, todos os superiores maiores da OFM da assim chamada “circunscrição latino-americana”, dividida em quatro conferências: do Norte, do Leste, do Oeste e do Sul. Hoje, essa “circunscrição” recebe o nome de UCLAF, isto é, a União das Conferências Latino-Americanas dos Franciscanos. A UCLAF necessita de normas para o seu bom funcionamento. Com o passar dos 43 anos de existência, ela foi aprimorando seus estatutos. Para esta XXI Assembleia, foram apresentadas algumas emendas de atualização dos estatutos que estavam em vigor. Estas foram estudadas, debatidas e aprovadas. Resta ainda a revisão e aprovação definitiva do Definitório Geral. A novidade maior é que a UCLAF terá um Conselho Diretor formado pelos quatro presidentes das Conferências, a saber: a Guadalupana (México, América Central e Caribe); a Bolivariana (Venezuela, Colômbia, Perú, Equador, Bolívia), a do Cone Sul (Chile, Argentina, Paraguai) e a Brasileira. E esse Conselho Diretor é animado por um presidente da Conferência anfitriã das Assembleias. Assim sendo, o novo presidente da UCLAF é Frei João Inácio Müller, atual presidente da Conferência Brasileira, uma vez que a nossa Conferência será a anfitriã da próxima Assembleia da UCLAF.

4. ASSUNTOS DIVERSOS:
4.1 O Master em Evangelização: Frei Sinivaldo Tavares apresentou um breve histórico, uma avaliação e perspectivas para o Curso Master em Evangelização, que é administrado em nome da Ordem no Instituto Teológico Franciscano, Petrópolis. Os Provinciais da UCLAF se comprometeram em dar vida e vigor a este curso.

4.2 Curso da JPIC: A Conferência Bolivariana apresentou o curso da JPIC que acontecerá entre os dias 29 de novembro a 10 de dezembro em Cochabamba, no centro de Espiritualidade Franciscana.
4.3 Curso de Formadores: A Conferência Guadalupana está organizando um Curso de Licenciatura para Formadores na América Latina. Oportunamente nos enviarão detalhes sobre o tempo e a forma deste curso.

4.4 Haiti: Frei Raul, Provincial da Guatemala, apresentou, em breve relato, a situação do Haiti e dos frades que lá trabalham. Agradeceu de coração toda a colaboração vinda da Ordem. A situação continua dramática uma vez que as ajudas internacionais não estão chegando por falta de credibilidade administrativa. Os frades, psicologicamente abalados, estão sofrendo. Como gesto de coerência, solidariedade e comunhão com o povo, os confrades não estão reconstruindo suas habitações.

4.5 Encontro com os Definidores Gerais: Nesta XXI Assembleia houve um momento de diálogo com os dois Definidores gerais para a América Latina, Frei Nestor e Frei Julio. Eles trataram das seguintes questões: a) Os Vicariatos na Conferência Bolivariana; b) pedido de um irmão que se dispõe a ajudar no Arquivo da ordem, com direito a um curso na área; c) as várias comissões: estudo interdisciplinar, estruturas de governo na Ordem, abandonos na Ordem, contemplação, sustentação à missão e evangelização e pastoral Educativa; d) Diálogo inter-religioso e a celebração dos 25 anos do Espírito de Assis; e) Questões econômicas: taxas, bolsas d estudo etc.; f) A carta do Ministro Geral para a festa de São Francisco terá como tema: “São Francisco e o Sacerdócio”

4.6 No próximo ano de 2011 acontecerão dois encontros do Governo Geral da Ordem com as Conferências da UCLAF. As conferências do Cone Sul e Brasileira terão seu encontro em Manaus, entre os dias 26 a 31 de março de 2011; a Bolivariana e Guadalupana, nos dias 22 a 27 de março.

Ipacaraí, Paraguai, 08 a 14 de agosto de 2010

fonte:http://migre.me/15CZb